Seminário “Gestão Documental: Gerenciamento e Governança” — TRT-MG debate o papel estratégico da gestão documental na administração pública

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Realizado em 9 de junho de 2026, o Seminário “Gestão Documental: Gerenciamento e Governança” promoveu um espaço qualificado de debate sobre os fundamentos teóricos e os desafios práticos da gestão e da governança documental no âmbito da administração pública. O evento foi organizado pela Secretaria de Documentação (Sedoc) do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-MG), por meio de sua Divisão de Gestão Documental (DIGD), com apoio da Escola Judicial do Regional (Ejud) e patrocínio do Comitê de Documentação e Memória.


Welder Antônio Silva (ECI/UFMG)

A iniciativa integrou as comemorações do **Dia da Gestão Documental**, instituído pela Resolução GP nº 324/2024, e compôs a programação da **Semana Internacional dos Arquivos (8 a 12 de junho)**, celebrada sob o tema global *”Arquivos pela Justiça: Direitos, Memória e Futuros”*. Realizado em formato híbrido, com transmissão ao vivo pelo canal do TRT-MG no YouTube, o seminário reuniu magistrados, servidores, terceirizados, representantes de outras instituições públicas e estudantes, configurando-se como um fórum interdisciplinar de intercâmbio de experiências e boas práticas institucionais.

Gestão documental como responsabilidade institucional compartilhada

Na perspectiva dos organizadores, o seminário representou uma oportunidade de aprofundamento do conhecimento técnico e do reconhecimento da gestão documental como função estratégica da administração pública. Conforme destacou Cristiano Barros Reis, chefe do Gabinete de Apoio da Sedoc, a gestão documental não se restringe a setores especializados, constituindo uma responsabilidade transversal a toda a instituição: *”todos participam da gestão documental querendo ou não, voluntariamente ou involuntariamente, porque todos produzem documentos que precisam estar seguros e acessíveis”*.

A abertura do evento foi conduzida pelo desembargador **José Marlon de Freitas**, presidência em exercício do TRT-MG, que enfatizou a necessidade de atualização contínua dos profissionais da área e reafirmou a dimensão social dos arquivos, compreendidos não apenas como dispositivos de armazenamento, mas como instrumentos essenciais à preservação da memória coletiva e à construção de uma sociedade mais justa.

O desembargador **Emerson José Alves Lage**, coordenador do Comitê de Documentação e Memória do TRT-MG (Cdom), reforçou o valor histórico dos acervos da Justiça do Trabalho como registros das transformações sociais ao longo do tempo, destacando os desafios da transição dos arquivos físicos para os digitais e a necessidade de garantir a preservação segura e acessível do patrimônio documental institucional.

Fundamentos teóricos: documentos, evidência e governança

A palestra inaugural, intitulada **”A Gestão Documental como Instância de Gerenciamento e Governança”**, foi proferida pelo Prof. Dr. Welder Antônio Silva, docente da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (ECI/UFMG), especialista em Arquivologia e membro do Grupo de Pesquisa “Políticas e gestão de documentos e arquivos”. A exposição abordou o papel estratégico dos arquivos na padronização de processos administrativos, na produção de evidências e no suporte à tomada de decisões institucionais.

O professor fundamentou sua análise na concepção do documento como registro da ação humana — seja de pessoas físicas ou jurídicas —, destacando sua função probatória e sua centralidade para a legitimação de atos ao longo da vida dos indivíduos e das instituições. Diante do avanço da transformação digital, Welder Antônio Silva alertou para a complexidade crescente da gestão arquivística em ambiente eletrônico: *”já é desafiador fazer a gestão de documentos não digitais. No ambiente digital, as vulnerabilidades e instabilidades são significativamente maiores”*, ressaltando que tal contexto demanda investimentos contínuos em segurança, infraestrutura e qualificação profissional, sob o risco do *”caos informacional”*.

Temas abordados e contribuições

Ao longo da programação, foram tratados temas como: a gestão documental como instrumento de memória e história; a constituição do acervo documental do TRT-MG; a função dos arquivos a serviço da administração; a segurança da informação; rotinas de trabalho arquivístico em bibliotecas e tribunais regionais; e a apresentação de trabalhos acadêmicos vinculados a pesquisas realizadas no acervo judiciário. Foram também divulgados os resultados da primeira reunião dos arquivistas da Justiça do Trabalho de Minas Gerais, realizada na véspera do seminário.

O encerramento contou com a participação da corregedora do TRT-MG, desembargadora **Maristela Íris da Silva Malheiros**, que reafirmou o compromisso institucional com a capacitação dos servidores e com a conscientização acerca da importância da guarda, organização e conservação do acervo documental como condição para a eficiência, eficácia e desempenho da instituição.

Equipe de formadores

O seminário contou com as seguintes contribuições:

**Welder Antônio Silva** (ECI/UFMG) | **Cristiano Barros Reis** (Gabinete de Apoio Sedoc/TRT-MG) | **Ana Lúcia da Silva do Carmo** (Seção de Arquivos Permanentes/TRT-MG) | **Lorena Lopes Freire Mendes** (Secretaria de Liquidação de Despesas/DOF) | **Márcia Aparecida Ferreira Campos** (Assessoria de Assuntos Administrativos/DG) | **Flávia Cerqueira Mindello** (Secretaria de Apoio Judiciário) | **Gabriela Moraes Lopes** (Divisão de Projetos de Apoio Judiciário) | **Josiane Pereira Vitor Martins** (Diretoria de Tecnologia da Informação e Comunicação) | **Luiz Felipe Campos Fernandes** (Divisão de Segurança da Informação) | **Márcia Lúcia Neves Pimenta** (Biblioteca/TRT-MG) | **Fernanda Madeira Diniz Couto** (estagiária de Biblioteca) | **Ana Carolina de Almeida Borba** (DIGD) | **Gabriela Lima** (mestranda em História/UFMG) | **Inaldo Nascimento** (arquivista/TRT-ES)

O seminário evidenciou que, em um contexto de crescente digitalização dos processos administrativos e de ampliação das exigências de transparência e accountability, a gestão documental ocupa posição estratégica indispensável para a preservação da memória institucional, a garantia de direitos e o fortalecimento do Estado democrático de direito.

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