📚 2ª CONFERÊNCIA NACIONAL DE ARQUIVOS (2ª CNArq) — O QUE ACONTECEU E O QUE MUDA PARA A ARQUIVOLOGIA BRASILEIRA?

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Realizada entre os dias 26 e 28 de maio de 2026, em Brasília (DF), a 2ª Conferência Nacional de Arquivos (2ª CNArq) teve como tema central “Arquivos: agentes da cidadania e da democracia”. O evento reuniu representantes do poder público, profissionais da área, instituições arquivísticas, pesquisadores e organizações da sociedade civil para debater propostas voltadas ao fortalecimento da Política Nacional de Arquivos no Brasil.

Vários membros do Grupo de Pesquisa Políticas e gestão de documentos e arquivos participaram do evento, sendo que quatro membros atuaram como delegados. São eles:
– Camila Schwinden Lehmkuhl;
– Dalton Garcia do Carmo;
– Evelin Mintegui;
– Mariana Batista do Nascimento; e
– Welder Antônio Silva.

O evento foi resultado de um processo participativo que envolveu 24 unidades da federação, dez conferências livres nacionais e 2.547 participantes, reunindo cerca de 500 pessoas entre delegados eleitos, representantes de instituições públicas e da sociedade civil.

Por que agora?

A primeira Conferência Nacional de Arquivos ocorreu em 2011. Desde então, mudanças tecnológicas, institucionais e normativas ampliaram os desafios da área — entre elas o avanço da digitalização, a consolidação do governo eletrônico e a criação de marcos legais como a Lei de Acesso à Informação (LAI) e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O texto-base do evento foi diretamente autocrítico: reconheceu que a conferência chegava “com a tarefa de articular diagnóstico, avaliação e proposição” e de compreender por que o legado da 1ª CNArq não se converteu em resultados estruturantes, apontando como obstáculos as recorrentes descontinuidades administrativas, as dificuldades de funcionamento do Conselho Nacional de Arquivos e o enfraquecimento da pauta em decorrência da vulnerabilidade institucional vivida pelo CONARQ e pelo Arquivo Nacional.

Os seis eixos temáticos

Os debates foram organizados em torno de seis grandes eixos:
**Eixo 1** — Marco Legal, Governança Arquivística e Perspectivas para uma Política Nacional de Arquivos;
**Eixo 2** — Gestão de Documentos como infraestrutura democrática;
**Eixo 3** — Preservação e Patrimônio Arquivístico;
**Eixo 4** — Acesso, Transparência, Inclusão e Promoção da Cidadania;
**Eixo 5** — Condições de Trabalho nos Arquivos e Ensino e Pesquisa em Arquivologia; e
**Eixo 6** — Arquivos Privados e Comunitários, Pluralidade da Memória e Interesse Público e Social.

O processo deliberativo e as 18 propostas priorizadas

Na quarta-feira (27), delegados e convidados debateram as propostas de cada um dos seis eixos temáticos e cada grupo elegeu as cinco proposições mais relevantes. Na plenária final de quinta-feira (28), as trinta propostas selecionadas foram apreciadas por todos os delegados, e por meio de votação eletrônica foram definidas as 18 propostas prioritárias — três por eixo.

A proposta mais votada: Conselhos Profissionais de Arquivologia

A proposição de maior votação foi a que prevê a criação dos Conselhos Federal e Regionais de Arquivologia — demanda histórica da comunidade arquivística, que recebeu 310 votos. Trata-se de um passo essencial para a regulamentação e valorização da profissão arquivística no país, colocando a Arquivologia ao lado de outras profissões regulamentadas por conselhos federais.

Outros destaques

🔹 **Digitalização e IA na pauta:** A conferência abordou os desafios impostos pela transformação digital, como a preservação de documentos, digitalização e o uso de inteligência artificial na gestão documental, além da necessidade de garantir soberania e acesso público a acervos digitalizados.

🔹 **Memória e reparação histórica:** O Arquivo Nacional recebeu recentemente uma nova leva de documentos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que está sendo disponibilizada para consulta pública — presencialmente e por meio de acervos digitalizados.

🔹 **Arquivos comunitários:** Um dos grandes destaques foi o debate em torno dos arquivos privados e comunitários, com propostas que partem do reconhecimento de que uma política arquivística democrática exige atenção a territórios e experiências historicamente fora do circuito governamental — como arquivos de movimentos sociais, coletivos periféricos e instituições voltadas à preservação da memória social brasileira.

🔹 **Edital Brasil Arquivos:** Foi lançado o Edital Brasil Arquivos, parceria entre o Arquivo Nacional e o Instituto Galo da Manhã, que prevê a seleção e premiação de projetos de preservação, organização e difusão de acervos arquivísticos, distribuindo R$ 1,4 milhão para 20 projetos.

🔹 **Moções aprovadas:** Além das propostas priorizadas, a 2ª CNArq também aprovou 38 moções.

O que fica como legado?

A 2ª CNArq representa um marco de retomada da agenda arquivística nacional após 15 anos. Os resultados sinalizam três frentes prioritárias para os próximos anos: **regulamentação profissional**, **financiamento sustentável das políticas arquivísticas** e **adaptação ao ambiente digital** — tema cada vez mais central para quem trabalha com preservação, acesso e autenticidade documental.

Para pesquisadores, arquivistas e gestores de documentos, os desdobramentos desta conferência impactarão diretamente marcos normativos, infraestrutura institucional e até a formação acadêmica na área.

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